05 de Janeiro; 2012
Acho que ele entendeu que quando sente saudade, a gente liga. Mesmo que não saiba exatamente o que falar e o silêncio dos segundos vazios preencham os espaços sólidos do peito de cada um que está no outro lado do telefone. Ele deve entender também a minha euforia recatada ao ouvir sua voz rouca, que parece tanto estar perto que sinto-o ao lado meu. É meio bobo, mas, nunca nos vi assim. Acho que ele percebe meu rosto rubro quando me observa, cara a cara, sem delongas, acho uma graça, amo a forma que ele olha pra mim. Quando deparo-me com nossa história, tudo me é surreal, mas, acho que ele entende porque acabo-me de rir quando comigo, ele brinca. Será que ele percebe a felicidade estonteante que é estar alí? Felicidade minha, que já é de costume, vem de longe, de tempos mórbidos que deixamos passar - Ele deixou passear, quase não volta, mas hoje, houve o retornar vagaroso, com o mesmo medo de se prender e quem sabe se dedicar, mas, é automático, vejo que feliz o faço, espero que ele queira me namorar. Do outro lado da linha ouço a despedida sombria da voz e vejo que ainda sou uma menina, degustando do prazer que é o descobrir à dois. Degusto em vício a nicotina que mais perto dele me faz ficar. Talvez não tão menina, mulher sem refrão, mas de rimas; no adeus, o pensamento vai ao ato do moço, encontrar.

0 das doses.:
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